Veja os encorajadores resultados das 4 principais vacinas de coronavírus em testes


Até o momento os cientistas já registraram resultados de pequenos ensaios clínicos iniciais para quatro possíveis vacinas contra o Covid-19.

Os resultados parecem positivos até o momento. Além de serem seguras as vacinas estimularam a produção de anticorpos contra o coronavírus (SARS-CoV-2). A dúvida que resta seria se estas respostas imunes são suficientes para proteger a população do Covid-19.

As quatro possíveis vacinas estão passando para grandes ensaios de fase III, que é seu teste definitivo: elas teriam mesmo a capacidade de proteger a população contra o Covid-19 e colocar um ponto final na pandemia?

O grande desafio em criar uma vacina para o Covid rapidamente

Os primeiros ensaios clínicos tiveram o propósito de descobrir se as vacinas são seguras para as pessoas e se levam o corpo humano a produzir anticorpos em dezenas a centenas de voluntários. Mas a fase III necessita dezenas de milhares de pessoas.

Expondo as pessoas propositalmente ao vírus

A comunidade científica tem debatido a possibilidade de realizar “ensaios de desafios” que consistiria em aplicar a nova vacina em voluntários jovens e saudáveis e expor estas pessoas propositalmente ao vírus em ambientes controlados. Isso poderia gerar dados mais significativos e rápidos sobre a eficácia da vacina. No entanto é uma precipício ético complexo já que não há tratamento que garanta a cura do Covid-19.

Embora a conversa sobre sobre os ensaios de desafio progride gradualmente talvez sequer sejam necessários já que grandes ensaios clínicos de fase III começaram e o público está otimista.

Dados recentes mostram que, mais de 138 mil pessoas se voluntariaram nos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA para os testes de vacinas. Se tudo correr como previsto os resultados devem sair até o fim do ano.

Quais são os quatro candidatos a vacina contra do coronavírus e como elas funcionam?

Vacina mRNA-1273 da Moderna e NIAID

Método

vacina mRNA-1273 é de RNA mensageiro (mRNA) fabricada pela empresa de biotecnologia Moderna em conjunto com NIAID (ambas instituições dos EUA). Vacinas de mRNA usam pedaços do código genético do vírus alvo em forma de mRNA nas células humanas. As células lêem o código e criam a proteína correspondente a tal código. Caso haja invasão do vírus ao corpo a proteína é ativada para responder criando anticorpos.

Na vacina mRNA-1273, os cientistas utilizaram uma nanopartícula de gordura para envolver o mRNA que codifica a proteína espinho (spike, em inglês) do SARS-CoV-2, uma característica marcante SARS-CoV-2.

Estrutura viral do coronavírus SARS-CoV-2 com seus espinhos de proteína

Resultados

Os cientistas anunciaram os resultados da fase I, que foram publicados em revista científica. Eles mostraram que a vacina foi segura para os 45 voluntários mesmo em três níveis de dose: baixa, média e alta.

Apesar de alguns efeitos colaterais relatados nas doses mais altas os pesquisadores indicam que ela não deverá ser a dose final, caso chegue aos pacientes, já que a dose baixa levou a uma resposta imune suficiente. Aqueles que receberam a vacina tinham anticorpos contra o coronavírus como se tivessem contraído a doença e ainda mais anticorpos neutralizantes, que tem capacidade para desativar o vírus completamente, do que o observado em pacientes que se recuperaram da doença.

Apesar de resultados encorajadores ele não são conclusivos, pois ainda não sabemos se estas respostas imunológicas são suficientes para evitar a invasão do vírus ou sequer quanto tempo a resposta imune observada poderia proteger contra a doença.

Na próxima semana a Moderna deve iniciar a fase III dos testes clínicos com a ajuda de 30 mil voluntários para confirmar se a vacina é eficaz, segura e a qual longevidade da resposta do sistema imune.

Vacina AZD1222 (ChAdOx1 nCoV-19) da AstraZeneca e Universidade de Oxford

Nessa semana cientistas publicaram um artigo sobre os resultados de uma vacina criada em conjunto por pesquisadores da Universidade de Oxford (Reino Unido) e da gigante farmacêutica AstraZeneca.

Método

O AZD1222 (ou ChAdOx1 nCoV-19) é uma vacina viral com base em vetor. A metodologia permite que os cientistas entreguem pedaços do vírus original dentro de outro vírus menos perigoso. O paciente recebe um pacote viral praticamente inofensivo que ensina o sistema imune a destruir o vírus potencialmente mortal com base no contrabando de pedaços de vírus perigoso que havia nele.

Na vacina AZD1222 o contrabando genético que veio do SARS-CoV-2 foi a proteína espinho característica dentro de um adenovírus atenuado de chimpanzés. Adenovírus em humanos costumam causar resfriados leves. A versão de chimpanzés usada no vírus foi manipulada para não se replicar em células de seres humanos. Testes em animais mostraram que a AZD1222 protege macacos da pneumonia após cientistas os exporem a grandes quantidades de vírus coronavírus (SARS-CoV-2).

Resultados

O artigo científico de testes em humanos mostrou resposta imunológica e boa segurança. Foram mais de mil voluntários no total. Metade recebeu a vacina e a metade recebeu uma vacina diferente, para outro parasita, como controle.

Não houve relato de efeitos colaterais graves e a AZD1222 levou a produção de níveis de anticorpos neutralizantes maior do que em pacientes que se recuperaram do Covid-19.

Testes clínicos fase III da vacina AZD1222 estão ocorrendo aqui no Brasil, Reino Unido e África do Sul.. Logo testarão nos EUA também.

Vacina Covid-19 com vetor de Ad5 da CanSino e do exército chinês

Na semana passada também foram publicados resultados dos ensaios clínicos fase II da vacina com vetor Ad5 da empresa CanSino Biologics em parceria com o exército chinês.

Método

Similar a AZD1222, a CanSino fez uma vacina de adenovírus atenuado mas, neste caso, um adenovírus (Ad5) que infecta humanos. Isso pode ser um problema porque aqueles que já contraíram o Ad5 antes pareceram não produzir uma resposta imunológica tão boa ao coronavírus comparado aos que nunca contriu o Ad5.

Ainda assim a empresa passou para a fase II de testes com 508 voluntários. Foram observados sintomas graves em 24 participantes do grupo da dose alta e em um do grupo de dose baixa.

Resultados

Os cientistas observaram que 96% dos participantes criaram anticorpos contra SARS-CoV-2. Mas os anticorpos neutralizantes foram observados 59% dos voluntários que tomaram altas doses em menos da metade dos do grupo de baixa dose.

Imunidade ao Ad5 varia, dependendo da população, de 52 a 80%, ainda assim a vacina já foi aprovada para uso do exército chinês e a CanSino planeja os testes clínicos fase III.

Vacina BNT162b1 da BioNTech e Pfizer

Método

A vacina BNT162b1 também tem base em RNA mensageiro e, da mesma maneira da vacina mRNA-1273 da Moderna, ela usa uma capa de nanopartículas de gordura para levar um pedaço de mRNA do espinho do SARS-CoV-2 para dentro das células humanas.

No primeiro dia do mês os cientistas divulgaram os resultados de sua fase I e II com grupos de voluntários recebendo várias doses e controlado por placebo. O trabalho ainda não foi revisado por pares.

Resultados

Nenhum dos voluntários apresentou sintomas graves. Tanto anticorpos quanto anticorpos neutralizantes foram gerados pela imunidade de todos os participantes. Estes últimos apareceram em quantidade muito maior do que em pacientes que se recuperaram do Covid-19 (entre 80 a 180% mais).

Na semana passada os cientistas disponibilizaram mais dados de 60 voluntários. Os mesmos aspectos anteriores se corroboraram: a vacina parece segura e gera forte resposta imune.

As empresas já tem planos para ensaios clínicos de terceira fase.

Outras vacinas para o coronavírus

Existem muitas outras vacinas em desenvolvimento, embora não estejam em estágios tão avançados. De acordo com a OMS são mais de 20 novas vacinas em ensaios clínicos e mais 142 em desenvolvimento pré-clínico. 

[Ars Technica]

Via: https://hypescience.com/vacina-covid/

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