Unidentified: série da TTSA está abrindo a caixa de pandora dos OVNIs?


A série Unidentified: Inside America’s UFO Investigation, documentário produzido pela To The Stars Academy of Arts & Science (TTSA) em conjunto com o canal de TV paga The History Channel, pode estar abrindo a caixa de pandora dos OVNIs. Com a estreia da segunda temporada nos Estados Unidos, no último dia 11 de julho, o hype que vem sendo criado em torno do documentário tem potencial para levar a pesquisa sobre OVNIs ao próximo nível. No Brasil, o seriado é apresentado com o nome “OVNIs: investigação secreta”.

O primeiro episódio da nova temporada aprofundou-se nos relatos de encontros de militares com objetos similares ao chamado “Tic-Tac”, fenômeno aéreo não identificado (UAP) observado por pilotos da Marinha a serviço do porta-aviões USS Nimitz em 2004. Sim, não estranhe: a nova geração de “pesquisadores” documentarias e os círculos militares preferem UAP – Unidentified Aerial Phenomena, ao estigmatizado termo OVNI, que aparentemente tem ainda uma conotação muito “extraterrestre”.

Contando histórias a partir de encontros e entrevistas de militares com Luis Elizondo, que dirigiu o Programa Avançado de Identificação de Ameaças Aeroespaciais da Agência de Inteligência de Defesa (Advanced Aviation Threat Identification Program – AATIP), e Christopher Mellon, ex-secretário adjunto de Defesa para Inteligência dos Estados Unidos, o novo capítulo “UFO’s in Combat” (OVNIs em combate) apresentou depoimentos inéditos de militares americanos que tiveram experiências com objetos voadores inexplicáveis em zonas de combate, incluindo Vietnã, Paquistão e Kosovo.

Luis Elizondo (Foto: Reprodução)

Os espectadores vão reparar a grande quantidade de vezes que a expressão “eu nunca tinha relatado isso a ninguém” (ou equivalentes) aparece no episódio. E esse, na estreia da segunda temporada, ainda é o maior mérito do documentário do ponto de vista da investigação em si.

Unidentified está trazendo à luz depoimentos de testemunhas confiáveis, em situações de combate, cercadas de equipamentos como radar, câmeras de infravermelho ou mesmo aviões supersônicos capazes de dar uma mãozinha no registro e perseguição desses objetos inexplicáveis.

Unidentified, o Senado, a TTSA e os OVNIs

Contudo, apesar do seu poder de fazer despertar o interesse legítimo, realista, concreto e desapaixonado pelo tema dos UFOs, é preciso manter uma atitude de cautela ao avaliar as informações que a série está transmitindo e não supervalorizar a produção televisiva em detrimento de todo o conhecimento acumulado da Ufologia.

Além dos registros dos OVNIs da Marinha, dos “Tic-Tacs” e do UFO “Gimbal” (de 2015), que foram efetivamente o passaporte da TTSA para o mundo dos documentários, a investigação em si ainda está devendo mais provas concretas.

O que o produtor executivo da série, Tom DeLonge, ex-vocalista e guitarrista da banda Blink 182 conquistou é um enorme feito, é verdade. A organização que ele lidera, a To The Star Academy, entrou pela porta da frente da Ufologia, sendo diretamente responsável pelo vazamento e difusão dos vídeos de encontros de pilotos militares que recentemente foram admitidos como inexplicáveis pelo Pentágono.

Tom DeLonge (Foto: Reprodução)

buzz que a TTSA criou certamente está no centro da polêmica que levou recentemente o Senado norte-americano a identificar e solicitar relatórios sobre OVNIs a uma força-tarefa de múltiplas agências dentro do governo dos EUA.

Um dia antes da estreia da nova temporada, o próprio Christopher Mellon falou sobre essas conquistas para uma matéria do jornalista Alejandro Rojas, publicada no site de cultura geek Den of Geek.”O requisito do relatório não estaria lá, não existiria se não estivéssemos empenhados em apresentar testemunhas, advogar isso e escrever sobre isso e assim por diante”, disse Mellon a Rojas.

De fato, depois do encerramento do AATIP, de Luis Elizondo, a posição governamental oficial nos EUA sequer admitia que houvesse qualquer interesse no estudo de UFOs. E agora sabemos que esse esforço é permanente, numa espécie de Arquivo X dos EUA.

Quais são as reais novidades para a Ufologia?

Influenciar a defesa dos EUA a aceitar os OVNIs oficialmente e o Senado a colocar as cartas na mesa não é pouca, é claro.

Mas todo o resto, no que tange à aparentemente incrível tecnologia dos OVNIs ou UAPs, documentada e explorada pelo seriado, não é nem de longe uma novidade.

O que a série classifica como assinaturas tecnológicas dos objetos, capacidades como difícil observação, a aceleração instantânea, velocidades supersônicas, voo sem sistema de propulsão aparente (anti-gravidade), efeitos eletromagnéticos e até radioativos, permeiam os registros e testemunhos da pesquisa ufológica desde que iniciou-se a Era Moderna dos discos voadores.

Mesmo os relatos de militares ou dos informantes internos (os “insiders”) do governo não são elementos novos para o mundo dos UFOs. A história de Robert “Bob” Lazar, com a Área 51 e a engenheria reversa de ufos do “modelo esportivo” está aí para provar. Tivemos ainda o relato incrível do Coronel Philip J. Corso; o ex-funcionário do Ministério da Defesa responsável pela pesquisa de UFOs do Reino Unido, Nick Pope. Ou ainda o envolvimento público e aberto do falecido astronauta Edgar Mitchell, entusiasta do desacobertamento ufológico.

Mas nenhum deles logrou produzir provas verdadeiramente contundentes e definitivas da realidade do fenômeno UFO. Pelo menos não um nível de concretude necessário para considerá-las cientificamente verificáveis.

Até mesmo o papel desempenhado pela TTSA neste tabuleiro não é exatamente uma novidade. Em 1993, o traumatologista e ufólogo Steven M. Greer fundava o Disclosure Projetc, que até hoje trabalha num caminho muito similar ao que vem sendo traçado pela organização de DeLonge, recolhendo testemunhos militares e de agentes governamentais insuspeitos para pressionar a abertura de arquivos secretos do governo sobre o tema UFO.

As histórias ainda não contadas

O que não está claro ainda, no entanto, e talvez aqui esteja a fechadura da caixa de pandora dos OVNIs, é o papel de Luis Elizondo e Cris Mellon no desenrolar dos fatos que estão por vir.

Cris Mellon (Foto: Reprodução)

Na primeira temporada, a própria série foi transparente o suficiente para admitir que ambos são acusados por alguns membros da comunidade ufológica de estarem a serviço da contra-inteligência, espalhando desinformação para desviar o foco dos temas realmente importantes. Não seria a primeira vez da Ufologia, e Luis Elizondo não nega que era especialista em contra-inteligência. Mas tanto ele quanto Mellon, obviamente, negam que seja esse seu papel no desenrolar da série Unidentified.

Mas para uma Ufologia que há mais de 70 anos luta por um lugar na sala (ou no laboratório), o que poderia ser um tema mais importante do que a admissão de que o OVNI “Tic-tac” ou o “Gimbal” eram objetos reais e apresentam uma tecnologia desconhecida?

Sob essa ótica, Elizondo e Mellon parecem saber exatamente para onde apontar as câmeras (ou o Senado!).

Ainda não está claro, por exemplo, quanta informação Elizondo obteve durante 8 anos (!) no AATIP, e certamente sua passagem para Inteligência limita aquilo que pode falar ou revelar sob pena de prisão ou acusações de traição.

No entanto, parece ser justamente em cima das histórias não contadas de Elizondo e Mellon que a TTSA tem alcançado sucesso em abrir caminho para localizar e extrair informações interessantes de militares, forçando e explorando os limites dos contratos de confidencialidade dos próprios entrevistados.

Há rumores de que essas águas turvas dos documentos e depoimentos classificados caminhem para outro recém declarado interesse da TTSA: a localização e estudo de materiais (ou “metamateriais”) coletados em locais de quedas e supostos resgates de OVNIs, como o próprio caso Roswell ou, quem sabe, o caso brasileiro de Ubatuba. Esses rumores incluem até a gestação de um artigo a ser publicado em breve pelo tradicional jornal americano The New York Times.

Aliás, esse é outro diferencial da organização de Tom DeLonge para as iniciativas anteriores na Ufologia: com a retaguarda de nomes conhecidos no meio governamental e o bom trânsito midiático de DeLonge. Agora as histórias são contadas não através dos sites ou revistas de Ufologia, mas dos veículos de imprensa mais tradicionais dos EUA, como o The New York Times ou o Washington Post.

Enquanto esperamos o próximo artigo ou o lançamento no Brasil da segunda temporada de Unidentified (ou “OVNIs: investigação secreta”), no canal de Youtube do The History Brasil é possível conferir gratuitamente um episódio da primeira temporada (abaixo).

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